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Médico Guarani Nhandewa se forma na primeira formatura virtual da UFPR

Por Victória Rodriguez e Judit Gomes

Com 107 anos de existência, em 7 de maio de 2020, a Universidade Federal do Paraná fez a primeira formatura virtual. Com a excepcionalidade da pandemia da Covid-19, a UFPR formou 92 médicas e médicos antecipadamente – leia a matéria da UFPR sobre esta formatura aqui.

Entre as e os 92 formados, encontra-se o médico João Paulo Guergolet, indígena da etnia Guarani Nhandewa da aldeia Laranjinha, localizada no município de Santa Amélia (PR), no Norte do Paraná – o município possui pouco mais de três mil habitantes.

Peça gráfica sobre a formatura virtual do médico guarani nhandewa. Em fundo de grafismo, há do lado esquerdo a foto do médico, João Paulo, vestido com o jaleco. Do lado direito, há uma tarja com a seguinte informação: "Médico Guarani Nhandewa se forma na primeira formatura virtual da UFPR", do lado direito inferior há o logo do Núcleo de Educação Indígena e abaixo o logo da SIPAD.
Foto do médico João Paulo Guergolet.
Arte: Beatriz Vieira

Em entrevista para a equipe de Comunicação da SIPAD, João relatou um pouco de sua trajetória, de suas relações familiares e do vínculo étnico. Sua mãe é Guarani Nhandewa e seu pai descendente de italiano. Com o casamento, ela mudou-se da terra indígena, para um local próximo. Ele cresceu com os ensinamentos de sua mãe sobre a cultura indígena, que escreveu o livro “Mundo dos Sonhos” sobre a cosmologia guarani, a partir das histórias de seu avô. O médico não chegou a morar na aldeia, no entanto, ressaltou o contato e as visitas frequentes à família e aos parentes que moram ali. Ele tem uma irmã mais velha que se formou em medicina pela Universidade de Londrina (UEL); e um irmão que se formou em odontologia por essa universidade, próxima do município de Santa Amélia (PR).

João Paulo também quis ingressar na UEL, onde se inscreveu em 2008 no Vestibular dos Povos Indígenas no Paraná.  Entretanto, não foi possível esse ingresso, sendo assim em 2009 prestou novamente o Vestibular,  dessa vez  concorrendo às vagas da UFPR. Seu desejo era pelo curso de medicina, porém, com a classificação obtida, optou pelo curso de fisioterapia, em Matinhos. No primeiro ano do curso, que ainda estava em processo de estruturação, entendeu que não era o que gostaria de fazer e em 2010 fez reopção de curso para medicina.

Ainda em Matinhos, conheceu Aluary, da etnia Terena, estudante do curso de agroecologia, que, na mesma época (2010), decidiu mudar para o curso de medicina veterinária. Ambos vieram para Curitiba e dividiram a casa, fortalecendo os laços de amizade. Pois, principalmente, nos primeiros meses João teve inúmeras dificuldades de adaptação ao novo curso e reprovou em algumas disciplinas. Concomitantemente, um acontecimento lhe provocou profunda tristeza. Em 2011 Aluary descobriu que tinha leucemia e, após mais de um ano de tratamento, faleceu. Este fato marcou a vida de João.

Relata que isso o “baqueou mesmo” e pensou em desistir do curso. A perda do seu melhor amigo o afetou demais e influenciou no seu rendimento acadêmico. Com o apoio institucional do Núcleo Universitário de Educação Indígena, da Coordenação do Curso e da Pró-Reitoria de Assuntos Estudantis, somente em 2014 começou a ter resultados favoráveis no curso e não reprovar mais. 

A antecipação formatura fez com que alguns planos fossem adiados, como um estágio no Canadá. Por outro lado, agora pode exercer sua profissão. Ele argumentou que todas os desafios e toda a dor que passou “nos faz mais humanos, nossa capacidade de adaptação. Faz parte da vida”.

O médico Guarani Nhandewa acentuou que seu objetivo é “levar todo o aprendizado para as comunidades indígenas”, atuar em aldeia indígena, sendo “o retorno pra aldeia de origem o maior sonho”.

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